Sim, para escrever coisas (várias).
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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
Domingo, 21 de Setembro de 2008
A CABEÇA DO BRASILEIRO (de Alberto Carlos Almeida)
Sentou-se no sofá e tirou as botinas de couro, um prazerzinho Brás Cubas, diria, se o soubesse. Apenas odiava aquele frio de agosto e as paredes brasileiras: "Este país não está pronto pro inverno", diria novamente, se não estivesse só. Queixara-se do mesmo modo ao caminhar três metros, do manobrista até a porta, e adentrar o ambiente climatizado da pizzaria. Costumava fazer happy hours com os amigos nas terças (depois de quarta, todas as noites estão lotadas — filas no vallet, espera de mesas, bobagens provincianas).
Queixara-se do frio e do gasto tolo da pizzaria e demais estabelecimentos com aquecedores: "Apenas uma questão de melhor vedação das paredes, este país não está pronto pro inverno". E pro inferno?, algum espirituoso perguntara causando um riso fácil e intendido entre todos os presentes. Os convivas, solteiros felizes em ascensão, sabiam-se inteligentes o suficiente para rir da desgraça macunaímica, diriam, se o soubessem. Um comentava A arte da guerra, arte mais viável, para o azar de Aristóteles, ao mercado financeiro. Outro, mostrando-se entendido, apontava o lamento de um jornalista, um dos maiores do Brasil, quanto a pequenez do país e seu ranço esquerdista. Outro mais dizia: "tive que pensar por mim mesmo durante a adolescência para não sucumbir as idéias tortas de meus professores, principalmente os de humanidades".
Idealistas e ingênuos, resmungava, lacônica, ela. Entre as moças, solteiras felizes em ascensão, ela era a mais interessante: poucas palavras, grandes atos, candidata favorita a mais uma promoção. Ela, sem cordialidade, européia, atrás de metas, nunca lhe daria nada. As botinas apertavam-lhe o couro, queria traçá-la em sua cama king size, subverter as ordens, dominá-la. Se ele fosse o chefe, ah, daria mais e mais promoções aquela funcionária, a melhor. Traga o relatório ao meu apartamento, ok? Ou prefere no seu? Odiava-a. Uma "comédia romântica", pensara. Na saída beijou-lhe o rosto, nunca domaria a megera, nem entenderia a referência.
Antes de chegar ao apartamento, ultrapassando todos os faróis fechados (entende-se a precaução), assistiu a uma cena grotesca que, de qualquer modo, renderia-lhe papo na pausa pro café no dia seguinte. Quatro ou cinco mendigos, com seus trapos imundos sobre as costas, espancavam-se mutuamente numa esquina sem luz. Parece que a luta era por um balde velho de plástico, observara de seu carro, enquanto tirava o cachecol (o ar quente estava ligado). Anti-parangolé número 2008, diria, amargo e escrotamente, se o soubesse.
[DA SÉRIE "LIVRO PRA NÃO LER"]
Queixara-se do frio e do gasto tolo da pizzaria e demais estabelecimentos com aquecedores: "Apenas uma questão de melhor vedação das paredes, este país não está pronto pro inverno". E pro inferno?, algum espirituoso perguntara causando um riso fácil e intendido entre todos os presentes. Os convivas, solteiros felizes em ascensão, sabiam-se inteligentes o suficiente para rir da desgraça macunaímica, diriam, se o soubessem. Um comentava A arte da guerra, arte mais viável, para o azar de Aristóteles, ao mercado financeiro. Outro, mostrando-se entendido, apontava o lamento de um jornalista, um dos maiores do Brasil, quanto a pequenez do país e seu ranço esquerdista. Outro mais dizia: "tive que pensar por mim mesmo durante a adolescência para não sucumbir as idéias tortas de meus professores, principalmente os de humanidades".
Idealistas e ingênuos, resmungava, lacônica, ela. Entre as moças, solteiras felizes em ascensão, ela era a mais interessante: poucas palavras, grandes atos, candidata favorita a mais uma promoção. Ela, sem cordialidade, européia, atrás de metas, nunca lhe daria nada. As botinas apertavam-lhe o couro, queria traçá-la em sua cama king size, subverter as ordens, dominá-la. Se ele fosse o chefe, ah, daria mais e mais promoções aquela funcionária, a melhor. Traga o relatório ao meu apartamento, ok? Ou prefere no seu? Odiava-a. Uma "comédia romântica", pensara. Na saída beijou-lhe o rosto, nunca domaria a megera, nem entenderia a referência.
Antes de chegar ao apartamento, ultrapassando todos os faróis fechados (entende-se a precaução), assistiu a uma cena grotesca que, de qualquer modo, renderia-lhe papo na pausa pro café no dia seguinte. Quatro ou cinco mendigos, com seus trapos imundos sobre as costas, espancavam-se mutuamente numa esquina sem luz. Parece que a luta era por um balde velho de plástico, observara de seu carro, enquanto tirava o cachecol (o ar quente estava ligado). Anti-parangolé número 2008, diria, amargo e escrotamente, se o soubesse.
[DA SÉRIE "LIVRO PRA NÃO LER"]
Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008
Pós-bandeiriana
para Caru
Um dia, disse-lhe —
muito embora soubesse
dos riscos —,
disseca-se a
esperança
(esta mortalha sem respiro)
e descobre-se perplexo
que no meio da
gangrena
tem muito sangue, sim.
Um dia, disse-lhe —
muito embora soubesse
dos riscos —,
disseca-se a
esperança
(esta mortalha sem respiro)
e descobre-se perplexo
que no meio da
gangrena
tem muito sangue, sim.
Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
FLAP 2008 — Viva la conexión!
Hoje, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima às 19h, começa a maior, melhor e mais organizada FLAP (não a toa, tem gente por aí chamando-a de 2.0 08 — trocadilho de nossos tempos open source). A abertura, apresentada por Rosângela Ogata, conta com a presença dos poetas Alberto Trejo (México), Eduardo Lacerda (Brasil), Alfredo Fréssia (Uruguai), Frederico Barbosa (Brasil) e María Eugenia López (argentina).
Ainda nesta noite, o lançamento da edição 9 d'O Casulo, jornal de literatura contemporânea, do qual faço parte, com muito prazer, do conselho editorial (e que trará novidades muito interessantes no blog, aguardem).

Não deixe de conferir a programação completa da FLAP que, este ano, dispersou-se do centro (apesar da base ser ainda a praça Roosevelt, Espaço Satyros) e propaga-se até novos espaços.
Ainda nesta noite, o lançamento da edição 9 d'O Casulo, jornal de literatura contemporânea, do qual faço parte, com muito prazer, do conselho editorial (e que trará novidades muito interessantes no blog, aguardem).

Não deixe de conferir a programação completa da FLAP que, este ano, dispersou-se do centro (apesar da base ser ainda a praça Roosevelt, Espaço Satyros) e propaga-se até novos espaços.
Sábado, 31 de Maio de 2008
Versos de circunstância
Não há guarda-chuva
contra o marasmo
dos dias sem nenhuma
palavra —
........as falas rogadas
........os livros rasgados
........os discos riscados
..........................— amada
da mulher a quem se devota
os poemas as cartas
as veias (ainda que de forma
falsa) e que depois de amara
devolve-lhe tudo: as provas
do amor e
da obra no prelo.
Não há guarda-chuva
contra o lodo
que se tateia nas regiões mais
baixas da vida
e que ali se alimenta: linguagem
....de peito aberto a espreita
....de um grande golpe (ou
....gafe).
contra o marasmo
dos dias sem nenhuma
palavra —
........as falas rogadas
........os livros rasgados
........os discos riscados
..........................— amada
da mulher a quem se devota
os poemas as cartas
as veias (ainda que de forma
falsa) e que depois de amara
devolve-lhe tudo: as provas
do amor e
da obra no prelo.
Não há guarda-chuva
contra o lodo
que se tateia nas regiões mais
baixas da vida
e que ali se alimenta: linguagem
....de peito aberto a espreita
....de um grande golpe (ou
....gafe).
Domingo, 17 de Fevereiro de 2008
Meu outdoor favorito
Entre Itu e Cabreúva encontrei meu novo outdoor favorito*. Não anuncia nada (o que vender no meio de um caminho bucólico, sem ao menos um posto de gasolina?), está lá por pura displicência, com suas letras que não constituem nenhum significado. Parece que anunciava uma corretora de seguros, não sei. (Sempre encontro, também, o outdoor dos Lenços Presidente, mas nunca os vi a venda). Ocorre que, não cumprindo seu papel no mundo dos negócios, este outdoor torna-se um objeto inútil. É sempre bom passar por ele e perceber que nem tudo está sob total controle…
* Existia, não faz muito tempo, um estranho outdoor, sempre renovado com mensagens apocalípticas, perto do shopping West Plaza. Era todo vermelho, letras garrafais brancas, sem conectivos, relacionando acontecimentos atuais com passagens bíblicas. Era meu outdoor favorito! Mas em janeiro deste ano, quando minha namorada, Carolina, e sua irmã, Fernanda, resolveram fotografá-lo… pronto! a lei Kassab atacou (até que demorou).
Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
Pequeno hiato
1.
Mal começou o ano que prometi cuidar bem do blog e… vou viajar. Portanto, até fevereiro nada de post novos (quem sabe a globalização não quebre esta regra?).
2.
Antes, porém, aviso sobre o lançamento do primeiro romance de Ana Rüsche, Acordados. Alguns exemplares do livro já estão circulando por aí através do contrabando que ela mesmo armou. Aproveite e assista o trailer que ela preparou para a estréia. Isto mesmo. Os lançamentos (serão dois dias diferentes) serão dia 18.01.08 (sexta) no Espaço dos Satyros, Praça Roosevelt, 20h, com apresentação de Juliano Pessanha e Teatro Livro com Os Satyros, e dia 19.01.08 (sábado) na Feira Moderna, a partir das 14h.
Mais informações: www.acordados.wordpress.com
Mal começou o ano que prometi cuidar bem do blog e… vou viajar. Portanto, até fevereiro nada de post novos (quem sabe a globalização não quebre esta regra?).
2.
Antes, porém, aviso sobre o lançamento do primeiro romance de Ana Rüsche, Acordados. Alguns exemplares do livro já estão circulando por aí através do contrabando que ela mesmo armou. Aproveite e assista o trailer que ela preparou para a estréia. Isto mesmo. Os lançamentos (serão dois dias diferentes) serão dia 18.01.08 (sexta) no Espaço dos Satyros, Praça Roosevelt, 20h, com apresentação de Juliano Pessanha e Teatro Livro com Os Satyros, e dia 19.01.08 (sábado) na Feira Moderna, a partir das 14h.
Mais informações: www.acordados.wordpress.com
Sábado, 5 de Janeiro de 2008
(IG ou) O MUNDO É DE QUEM FAZ
O risco a giz no pátio, milimetricamente medido, quadrado por quadrado por quadrado por. Todo mundo é uma ilha, é o que dizem, mas sou um istmo. Só uma mulher desempregada, cigarro borrado com batom, por insubordinação mental. Três dias antes da aprovação das novas leis trabalhistas! Expulsaram-me sem indenização, aqueles escrotos. Quer saber? Estou de saco cheio desta merda. Eu avisei, eu avisei, eu… Ora, Poderia ser casada com um velho milionário. Terrorista, eu poderia ser. No verão, gosto de abrir bastante a janela e ficar chupando manga debruçada sobre a pia da cozinha (chupo todos os fiapos e lambo o caroço liso) sonhando com flores ou caralhos inesperados. Descontando o embaraço de morar de favor e não ter mais dinheiro, até que gozo a vida. As garotas me adoram, carrego camisinhas na bolsa e as distribuo em momentos decisivos. Risco a giz no pátio, quadrado por quadrado por. Amanhã sairá o resultado do exame. Estou esperando por esta vaga a muito tempo;(positivo) e deu.
[DA SÉRIE "RE-SLOGAN"]
[DA SÉRIE "RE-SLOGAN"]
Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007
Anotações para o minuto seguinte:
Dobre o papelzinho sete vezes e guarde-o com três caroços de romã
01 - ler mais, muito mais que a média medíocre de brasileiro que teimo em sustentar mesmo como grande apreciador de literatura (30 páginas/dia = 10.980 páginas/ano, meta razoável);
02 - ser menos inseguro em debates pois, como as tantas bobagens sendo ditas por aí, os meus tropeços não serão os mais crassos;
03 - ser, às vezes, um pouquinho intransigente (complacência demais causa apatia!);
04 - aprender a tocar violão, cozinhar, falar alemão, etc;
05 - publicar de verdade no blog.
01 - ler mais, muito mais que a média medíocre de brasileiro que teimo em sustentar mesmo como grande apreciador de literatura (30 páginas/dia = 10.980 páginas/ano, meta razoável);
02 - ser menos inseguro em debates pois, como as tantas bobagens sendo ditas por aí, os meus tropeços não serão os mais crassos;
03 - ser, às vezes, um pouquinho intransigente (complacência demais causa apatia!);
04 - aprender a tocar violão, cozinhar, falar alemão, etc;
05 - publicar de verdade no blog.
Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007
festival Tordesilhas > antologia Vacamarela > poema Discurso em pó

Amanhã, terça-feira, começa o Tordesilhas - festival de literatura ibero-americana que reunirá, aqui em São Paulo, escritores de vários países da América Latina, Portugal e Espanha. O evento tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Cultura e a programação, espalhada por espaços culturais da cidade está interessantíssima (veja no site). Poetas bascos, brasileiros que escrevem em portuñol, debates entre artistas e teóricos e, muitos, recitais. Um destes recitais será o de lançamento da antologia Vacamarela que publicará 17 jovens poetas brasileiros (eu, inclusive) em edição trilíngüe: português-espanhol-inglês. Entre os meus poemas publicados está este Discurso em pó publicado logo abaixo. O lançamento será na meia-noite de sexta para sábado, na Praça Roosevelt, em frente ao Espaço Satyros I com direito a leituras em português e espanhol por convidados mais que especiais.
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